O ano era 1995.

O local, os laboratórios de Geoprocessamento e Arquitetura e Urbanismo de duas das maiores universidades do país. Éramos estudantes e pesquisadores fascinados por um novo mundo que se descortinava e entusiasmados pelas possibilidades que se abriam.

Enviar um e-mail para universidades mundo afora, conversar com estudantes de todo o planeta, dar uma olhadela na produção mais recente de núcleos remotos de pesquisa. Parecia mágica. Até hoje, nos parece um tanto profético que aquela novidade que tínhamos em mãos não só mudaria nossas vidas – e a de todo o planeta – como também seria objeto de nosso artifício enquanto profissionais.

 

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A web, como a entendemos, começou um pouquinho antes, em 1991. Sim, esses 25 anos voaram. Parece que foi ontem que Tim Berners-Lee, com a ajuda de Robert Cailliau, publicou uma proposta de gerenciamento de informação formal, conhecida como World Wide Web.

Munido de computadores NexTcube (o nome era super futurista, mas eram quase 1000x mais lentos que os celulares atuais – e não tinham câmeras, muito menos touch-screen), Berners-Lee cria uma rede para dividir informações com os cientistas do mundo munidoa apenas de um pequeno servidor, um navegador e poucas páginas, que descreviam o próprio projeto.

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Desde o dia em que Berners-Lee publicou um punhado de notícias na web, a internet evoluiu com suas próprias pernas, ao longo de várias indústrias e agregando saberes de diversas tradições. Nossa relação com as máquinas nunca mais foi a mesma. As máquinas, pensando bem, nunca mais foram as mesmas. Nem nós, humanos, refabricados em uma realidade que nos conecta, ativa e potencializa.

Conhecemos a internet publicamente desde 1993. No Brasil, isso aconteceu entre 1995 e 1996. Faz apenas 20 anos que nos demos conta de que nosso mundo mudou para sempre.

 

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Já reparou o quanto a transformação mundial se acelerou nesse período? Fronteiras físicas e imaginárias foram rompidas, indústrias inteiras foram criadas e derrubadas com invenções disruptivas, as distâncias foram encurtadas, os movimentos sociais ganharam uma tração inédita com a disseminação de ideias e clamores via redes sociais. O mundo se tornou mais plano, nervoso, conectado, consciente.

Nosso mundo profissional também mudou. Desde que abrimos nossas portas, em 1996, o que chamamos de internet mudou tanto e se tornou tão ubíquo que nos leva a pensar se o próprio termo se aplicaria hoje em dia. O que não é, ou não está, na rede? O digital nos perpassa em ondas carregando informações de fotos, emoticons, texto, nudes, a todo momento. É possível explicar nosso mundo sem ele?

 

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Vemos, no horizonte, o momento em que falar do digital será como falarmos do elétrico, outra grande revolução pela qual a humanidade passou. Como o elétrico, o digital se torna tão natural em nossas vidas que separá-lo em uma categoria não mais faz sentido. Omnichannel, phygital, all-line são alguns dos termos que a indústria criou para identificar esse movimento.

Quando nos reposicionamos, no aniversário de 20 anos da Aldeia, o digital como camada habilitadora de uma vida que não é off, mas sempre on, nos pareceu o caminho mais interessante. Não fazemos artefatos digitais. Fazemos artefatos. Comunicação. Marketing e relacionamento. São as conexões entre pessoas, organizações e sistemas de significados que nos interessam e que vão movimentar nossos próximos vinte anos.