O estudo do comportamento das gerações tem sido pauta em livros, filmes e pesquisas. Primeiro, os Baby Boomers, nascidos entre 1946 e 1964, fruto de uma explosão populacional logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Pacifistas, quebraram barreiras políticas e de gênero, além de terem criado o movimento hippie. A seguir, a Geração X, nascida entre as décadas de 60 e 80, apaixonada pelo trabalho, aderente a regras e que desenvolveu os principais avanços tecnológicos que conhecemos, alguns dos quais iniciados pela geração anterior. Steve Jobs, um ícone da inovação, nasceu em 1955 – um Baby Boomer – e prova que, em toda a regra, há variações e exceções. Logo depois veio a Geração Y, os millenials, nascida a partir do final da década de 70 até meados dos anos 90, imersa na revolução tecnológica, com notável facilidade material e exigente como consumidora. Agora uma nova geração aparece, a Z, e já está virando assunto.

Conectados e nada deslumbrados

A Geração Z não diferencia a vida online da off-line, trabalha com o conceito de all-line e quer tudo para agora. É crítica, dinâmica, exigente, sabe o que quer, é autodidata, não gosta das hierarquias e muda de opinião toda hora. Nascidos a partir de 1995, os nativos digitais da Geração Z nunca conceberam o planeta sem computador, chats, telefone celular e internet. Por isso, são menos deslumbrados que os da Geração Y com gadgets e afins.

Mesmos hábitos, canais ligeiramente diferentes

20160324_BlogEm novembro de 2015 a Nielsen publicou a pesquisa Estilo de Vida das Gerações, que entrevistou 30.000 pessoas em 60 países. A pesquisa aponta, por exemplo, que – em todas as gerações estudadas – as refeições feitas em casa acontecem com alguma outra coisa simultaneamente, como TV, tablet, smartphone ou computador. A Geração Z é a segunda mais disposta a pagar por alimentos com benefícios e também que come fora mais frequentemente. Se pudesse escolher, buscaria trabalhar com ciências, tecnologia, engenharia e matemática. As principais atividades no tempo livre da Geração Z são, em ordem de incidência: ouvir música, ler, assistir TV, interagir com amigos e família, fazer exercícios, jogar online, acessar mídias sociais, jogar videogames, praticar esportes, viajar, comprar online, cozinhar e cuidar do jardim. As preferências encontradas nesta pesquisa revelam que as atividades favoritas são parecidas entre as gerações – o que muda, em algumas delas, é o canal, a interface (impressa, digital, online).

Instantaneidade, ansiedade e superficialidade são marcantes. Alguns indivíduos da Geração Z sofrem se estão desconectados e podem sentir, por exemplo, da síndrome FOMO (Fear Of Missing Out), uma espécie de medo de perder algo que pode estar acontecendo e que saberia através da internet.

Eles também não se prendem as fronteiras geográficas, possuem amigos e relacionamentos em todo lugar. São consumistas, mas preferem experiências, como conhecer um lugar novo, a gastar com roupas e itens supérfluos. A Geração Z busca um mundo melhor, se preocupa com sustentabilidade, alimentação orgânica e veganismo. São jovens mais responsáveis e, mesmo com toda informação que a internet traz, se preocupam com o uso excessivo da mídia. Diferente da Geração Y, pensam com cuidado antes de publicar algo nas redes sociais.

O gênero é relativizado

Sem preconceitos e mais inclusivos, eles são sexualmente liberais, de acordo com uma pesquisa realizada no EUA pela JWT, onde muitos afirmam não se preocupar com orientação sexual – menos da metade dos jovens participantes da pesquisa se identificam como heterossexuais, apenas 48%. Usando a Escala Kinsey como parâmetro, esses jovens não se consideram completamente homossexuais, nem completamente heterossexuais. Para a Geração Z o gênero é relativo: 56% dos jovens afirmam que, eventualmente, compram roupas feitas para outros gêneros que não o deles. Além disso, 70% desses adolescentes e jovens acham que espaços públicos deveriam oferecer banheiros mistos.

Impacto no mercado de trabalho

Os indivíduos Z estão chegando ao mercado de trabalho e causando impacto, típico de novas gerações quando se inserem nas anteriores. São seletivos com as condições de trabalho e preferem jornadas com horários flexíveis. Este movimento de gerações requer constante atenção das empresas que desejam profissionais jovens inseridos em sua área de atuação. O tempo mostra, também, que as diferentes gerações se adaptam e encontram caminhos viáveis. Então nem sempre é necessária a ruptura completa para que o mundo continue girando.

T

Comunicação com a Geração Z

Especialistas concordam que é cedo para previsões detalhadas, mas indicam alguns caminhos a serem explorados na comunicação com a Geração Z. Serviços de atendimento ao cliente devem priorizar mensagens de texto, chat e redes sociais ao invés do contato via telefone. Disponibilizar informação relevante e organizada, em diferentes canais online, é mais efetivo para que eles mesmos encontrem as soluções que procuram – dúvidas frequentes e tutoriais em vídeo são os favoritos. Vídeos de 10 segundos são campeões de audiência no Instagram e Snapchat, seja para informações ou promoções. Facebook não é a melhor plataforma para se comunicar com eles: ainda estão lá, mas com pouca frequência. Eles gostam de expor o que são e o que pensam, não apenas com selfies, mas também com posts sobre suas exigências e preocupações. Muitas informações são públicas, então ouvi-los é uma boa fonte para conhecer melhor seu comportamento, ainda e sempre mutante.

Comportamento jovem – ciclos que já vimos antes

Por outro lado, desde que o mundo é mundo, jovens são questionadores, afeitos a novidades tecnológicas, inclinados ao idealismo e às causas sociais. Em linguagem contemporânea: disruptivos, colaborativos e engajados. A Geração Z é tão fruto das anteriores quanto Geração Silenciosa, Baby Boomers, X e Y, só que com o verniz da atualidade. Os nativos digitais são o atual grupo de jovens mais jovens (atenção para a mais nova ainda Geração Alpha chegando). Outras gerações virão. O certo é que marcas atentas a este movimento contínuo geracional garantem longevidade ou, pelo menos, uma comunicação efetiva.


Por Letícia Bastos e Tatiana Brugalli