Na última quarta-feira (28), uma das marcas mais emblemáticas de todos os tempos revelou modificações disruptivas em seu principal produto – sim, estamos falando da Barbie e sua nova coleção de bonecas inclusivas.

Após dois anos de estudos e pesquisas de opinião dos usuários, a Mattel, fabricante da boneca mais famosa do mundo, tomou uma atitude ousada para os seus padrões: criou uma linha de bonecas inspiradas em “mulheres reais”. A hegemonia da Barbie loira, alta, magra (com aquela cintura impossível) e lisa deu lugar a uma ampla variedade de biotipos representados. Agora você, a sua vizinha, sua melhor amiga e até sua chefe podem se reconhecer na longa lista de novas bonecas da marca, que apresentam 4 tipos de corpos, 7 tons de pele, 22 cores de olhos e 24 penteados diferentes.

O movimento estratégico da Mattel só confirma o poder que a opinião do consumidor possui no design de uma linha de produtos – muito desse poder, aliás, é demonstrado nas ferramentas de redes sociais. O redesenho a favor da inclusão pode ser relacionado aos movimentos de boicote a marcas – onde várias vezes a Barbie foi o alvo de protestos pela baixa representatividade das mulheres reais no produto.

Muito mais exigente que antes, e sem medo de falar o que pensa sobre os produtos que ama ou odeia, o novo consumidor se faz onipresente em todos os ambientes onde a marca orbita. A fidelidade já não é mais tão prevalente: a ampla concorrência abre novas possibilidades de compra todos os dias. Mesmo marcas que cativaram gerações mais antigas são obrigadas a manter – e renovar – a conexão emocional com audiências mais jovens. Em um contexto pós-moderno de consumo onde o significado do produto é atrelado à auto-imagem real ou projetada do indivíduo, marcas estabelecidas se deparam com a mudança de valores da sociedade e são obrigadas a dialogar com esse novo cenário.

O case mais famoso dessa modalidade de reposicionamento é a super badalada “Campanha pela Real Beleza”, promovida pela Dove. É muito provável que você já conheça o case – foi a partir dele que o mercado percebeu que o público-alvo hoje busca uma identificação maior com os produtos que adquire.

A mudança da linha de produtos da Barbie é significativa, tanto para crianças de outrora quanto para as novas gerações, pelo poder simbólico de transformação social que carrega. Ao reconhecer e se reinventar frente a uma nova visão do consumidor sobre si mesmo e sobre os produtos que utiliza, a marca demonstra estar aberta ao ambiente e pronta a responder à altura – surpreendendo, encantando, fidelizando.

Isso é empoderamento, é feminismo e, mais do que isso, é business da melhor espécie. Quando uma marca encontra a vantagem competitiva em um movimento de empoderamento e transformação positiva do consumidor, ocupa uma posição difícil de ser copiada pela concorrência. Podemos prever, com alguma segurança, que a boneca continuará a encantar muitas novas gerações de crianças.

E você, já encontrou a Barbie que mais combina com o seu jeitinho?