As semanas de moda já foram muito restritas, fechadas e seletivas. Um pequeno grupo de formadores de opinião era convidado a assistir aos desfiles e o público geral tinha acesso às novas coleções somente quando os veículos – revistas, TV e jornais – publicavam análises e opiniões subjetivas.

Hoje, já é seguro dizer que o foco das semanas de moda são as redes sociais. Com a revolução iniciada pelos blogs – de street style a it girls – as ações realizadas por marcas envolvem, cada vez mais, a interação com o público através de ferramentas de redes sociais.

As primeiras coberturas digitais, tímidas, registravam os momentos “oficiais” do desfile, com os principais looks de passarela e as protocolares fotos no backdrop. Com o passar do tempo, o foco se voltou para a exploração da engrenagem que fazia a magia acontecer: o backstage tornou-se exposto, em tempo real, a milhões de usuários ávidos por um sneak peek de modelos e dos rituais próprios da preparação do desfile. Twitter, Facebook, Instagram, Periscope e Snapchat são as principais redes de transmissão, em uma orquestração de canais proprietários das marcas, veículos, influenciadores e trabalhadores do evento.

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Marc Jacobs + Periscope: o mundo todo na fila A
Imagem: divulgação

No último SPFW, confirmou-se que o principal interesse das marcas de moda é levar pessoas influentes nos meios digitais sociais para que este conteúdo chegue à maior quantidade de público possível. A preocupação com as opiniões  da imprensa especializada divide espaço com a busca pelo alcance. Ou seja: além da curadoria e opiniões do observador, o tamanho de sua audiência é um ponto-chave para seu bom posicionamento na sala de desfile.

Se analisarmos os KPIs, ou seja, os indicadores-chave de performance de uma cobertura digital, o alcance desponta como a principal métrica. Trocando em miúdos: uma boa cobertura é a que propaga a proposta da marca à maior quantidade possível de pessoas. Mas não nos apressemos: a ressonância gerada pela mensagem, ou seja, seu potencial de ser discutido, curtido e compartilhado, é igualmente importante. Para gerar boa ressonância e ótimo alcance, trabalhar dentro do contexto de storytelling da marca é uma boa pedida, muitas vezes cobrindo assuntos que são colaterais ao desfile, mas que são objeto de muito interesse do público.

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Criado na emoção do momento, nosso post celebrando a presença de Tom Brady no desfile da Colcci conectou com a camada de zoeira que permeia a internet 😉 

Só marcas de moda podem tirar proveito?

Apesar do SPFW ser uma, bom, “fashion week“, há espaço para qualquer marca que tenha uma boa ideia – e dinheiro para investir, é claro. Nesta edição, uma marca de energético levou tatuadores que trabalhavam em troca do uso de uma hashtag. Outro destaque foi uma marca de sorvetes oferecendo opções personalizadas e prontamente transformadas em post. Os bons drinks também foram representados por um freezer de bebida liberada realizando ações e divulgando a nova hashtag da respectiva marca.

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Imagem: divulgação SPFW Imagem: divulgação Magnum Imagem: divulgação SPFW

Na vanguarda, desde sempre

Pode-se dizer que as semanas de moda, hoje, são pensadas para as redes sociais. Não foram criadas para isso mas, assim como são vanguarda nas tendências do que vestir, são também na adoção de formatos contemporâneos de comunicação. Quem “vence” não é apenas a marca com a melhor coleção, mas também a que gerar mais e melhor repercussão nas redes sociais.

Essa nova audiência para as semanas de moda inverte relações estabelecidas e abre margem para muitas reflexões e – por que não – oportunidades para ainda mais inovação. Os papéis de observadores e observados se alternam entre o público, os influenciadores e os produtores de moda – prova que a revolução digital não alterou apenas o formato da mensagem, mas toda a rede de relações e distribuição de conteúdo.